Scott-Kelby-Worldwide-Photowalk
Scott’s Kelby Worldwide Photowalk 2019

PASSEIO FOTOGRÁFICO WORLDWIDE PHOTOWALK – PORTO CAN’T MISS IT

Olá,
No 1º sábado de Outubro de cada ano, fotógrafos e entusiastas da fotografia em todo o mundo saem com as suas câmaras e encontram-se num local escolhido na sua cidade para passear, fazerem fotografia, novos amigos, socializar, ganhar prémios, e fazerem parte de uma grande causa enquanto participam na Scott Kelby’s Worldwide Photowalk®
Não interessa qual é o grau de especialização na fotografia ou o tipo de câmara ou telemóvel que usa para fazer parte do evento deste ano.
Junte-se a mim no Porto Can’t Miss It Worldwide Photowalk em 5 de Outubro às 16,00h nos Jardins de Nova Sintra (Águas do Porto) e venha daí (re)descobrir e fazer muitas e belas fotos para mais tarde recordar.
Inscrição é gratuita. O nº de inscrições é limitado.

Até lá!

José-Porto-Photographer
José Manuel Santos

Ryan, um simpático jovem sul coreano, tinha um sonho e veio a Portugal para o realizar. Queria surpreender a sua namorada Jolly com um pedido de casamento surpresa num local único no mundo e escolheu o Porto para o fazer. Mas, como não conhecia ainda a cidade, precisava de ajuda, e para isso contactou a Pictury Photo Tours para organizar um passeio fotográfico que culminasse com o pedido de casamento. Foi aí que o José Manuel entrou em cena e passou a ser cúmplice desta surpresa, propondo ao Ryan um itinerário que não levantasse suspeitas e terminasse na idílica Serra do Pilar, icónico miradouro sobre a cidade do Porto e o seu rio. O resto é história… em video!

Passeio Fotográfico Solidário pelas ruas do Porto com início às 15h na Praça da Liberdade, junto à estátua equestre de D. Pedro IV.

Vamos (re)descobrir a charmosa cidade do Porto, com o nosso olhar fotográfico ou só curioso, por ruas cheias de história e plenas de pormenores que nos encantam e, até às vezes, nos surpreendem.

Entre locais icónicos e outros menos conhecidos, vamos por essa cidade fora e deixar-nos levar pelo seu encanto, de espírito aberto e, quem sabe, venhamos a ser surpreendidos com algum canto ou recanto que ainda não conhecemos.

No fim, para além de um punhado de belas fotos, vamos em paz com o espírito reconfortado por também termos contribuído para ajudar aqueles que precisam.

O nº de inscrições é limitado e obrigatório e o valor é de 2€ (+ 0,15€ referente aos custos da plataforma de gestão das inscrições).

Inscreva-se para assegurar a sua participação em:

https://weegoto.com/Events/LandingPage/passeiofotograficosolidario

As receitas líquidas deste evento revertem integralmente para a Operação Nariz Vermelho.

https://www.narizvermelho.pt/

 

Organização e Tour Líder: José Manuel Santos

Portugal, Lisboa e Madeira entre os melhores destinos turísticos do mundo

Portugal acolheu este sábado a cerimónia final dos World Travel Awards, pela primeira vez, para arrebatar em casa algumas das principais categorias, num recorde de 17 “Óscares” do turismo mundial.

Nem Estados Unidos, Brasil, Grécia ou Indonésia. Nem Nova Zelândia, Maldivas ou Espanha. Pela segunda vez consecutiva, Portugal foi eleito o Melhor Destino Turístico do Mundo, depois de, no ano passado, ter-se tornado o primeiro país europeu a conquistar esta distinção. Para Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, a renovação do prémio é um “sinal da capacidade de afirmação internacional de Portugal”. Em comunicado enviado às redacções, atribui a distinção ao “trabalho de todos os portugueses”.

Mary & Kin, um casal de Vancouver, Canada, queriam ver o  mais possível na sua curta passagem pelo Porto. Infelizmente a Mary tinha um problema no joelho que a condicionava a caminhar , sobretudo nas subidas. Mas nós não queríamos que eles perdessem esta oportunidade de conhecer bem e fotografar a cidade. Foi assim que sugerimos um “mix” de passeio fotográfico dividido em duas partes a primeira em TukTuk, onde percorremos os pontos mais altos e mais difíceis de alcançar a pé, e a segunda parte a pé (o nosso tradicional passeio fotográfico) por terrenos mais fáceis de calcorrear. Para isso, contamos com a preciosa ajuda e colaboração do Romeu da PorTuk, e em conjunto desenhamos um percurso que os nossos convidados adoraram e que lhes permitiu ver, conhecer e fotografar inúmeros pontos de interesse da cidade no pouco tempo que dispunham.Porto Photo Tour TukTuk mix

Visitamos os mais impressionantes miradouros, vimos inúmeros exemplos de arte de rua, apreciamos os famosos azulejos da igreja do Carmo de da Estação de S. Bento, percorremos as antigas e coloridas ruas do centro histórico, tomamos um delicioso café numa esplanada a olhar para o rio Douro, ainda passamos pela Arcádia para provar o melhor chocolate do Porto, comemos um pastel de nata pelo caminho, e acabamos à porta do magnífico Café Majestic, onde os nossos convidados ficaram para um merecido almoço.

Porto Photo Tour TukTuk mix
Esta experiência foi um sucesso e ultrapassou completamente as expectativas de todos. É por isso que vamos criar em parceria com Portuk um programa específico com estas características e dessa forma poder oferecer itinerários mais abrangentes e confortáveis para pessoas de todas as idades que permitirá chegar a ainda mais belos locais para fotografar servidos de um transporte castiço, versátil e divertido.

Porto Photo Tour TukTuk mix

 

Worldwide Photowalk Porto Can't Miss It
Worldwide Photowalk Porto Can’t Miss It

É já no próximo dia 6 de Outubro que vai realizar-se no Porto a Scott’s Kelby Worldwide Photowalk Porto Can’t Miss It liderada pelo José Manuel Santos.

Este Passeio Fotográfico, inserido no maior evento no género no mundo que vai na sua 11ª edição, é gratuito mas a lotação é limitada pelo que é necessário fazer a sua inscrição para poder participar.

Faça a sua inscrição aqui  apareça, faça muita fotografia e divirta-se.

Esperamos por si!

 

1 ano depois, dá-se lugar ao reencontro de dois Josés, o Santos (eu) e o Castelo, o homem da cascata da Ilha do Sr. Doutor, na Rua de S. Vitor (a que tem o maior número de ilhas na cidade do Porto). O momento é surpreendente, mesmo para mim, porque não estava à espera de reencontrar esta simpática figura com um visual tão diferente!

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The 1st Hit The Streets Porto group

Bem-Hajam! (Esta expressão é a minha preferida para agradecer, tão portuguesa e tão pouco utilizada).

Não posso deixar de escrever umas palavras depois deste passeio que apesar da chuva (e, se calhar, por isso) correu tão bem. Todos os participantes mantiveram a boa disposição e a alegria, como se estivesse um sol radioso. Senti que vale mesmo a pena, obrigada pela generosidade.

Espero que tenham gostado e que se mantenha como uma boa memória.

Estamos sempre aqui, disponíveis para partilhar os melhores momentos e as melhores fotografias que esta cidade velha e gasta, mas sempre tão bonita, proporciona.

Até sempre.

Maria José

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Group of the 1st Hit The Streets Porto

A rapaziada que participou no 1º Passeio Hit The Streets Porto, já um pouco cansada mas pronta para entrar no MiraJazz para a despedida e até ao próximo passeio fotográfico.

 

É claro que não podem ser só 7 as razões para visitar e fotografar o Porto. São tantas e tão boas que não era possível aqui e agora enumerá-las todas. É, por isso, que sugerimos “só” estas 7 que por si já justificam uma visita que é um deleite não só para fotógrafos como para toda gente. Mas (até aqui tem um “mas”), pode gostar tanto que corre o risco de ficar com vontade de vir para cá viver. Não seria o primeiro!!!

1 – As Pessoas
Portugal já há muito tempo que é reconhecido como um país que gosta de receber quem o visita, mas o Porto, ainda mais! O escritor Manuel de Sousa no seu livro Porto D’Honra salienta “… o forte bairrismo e a inexcedível hospitalidade.” Fotografar os portuenses são retratos para a vida.

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D. Manuela, proprietária de uma pequena e antiga mercearia na Rua Escura

2 – O Rio Douro
Nascido lá para terras de Espanha, entra em Portugal pela província de Trás-os-Montes e vai deixando a sua marca pelo caminho até à foz no oceano Atlântico. Traz com ele muitas histórias de lutas e conquistas e é a olhar para ele que o Porto nasceu e convive todos os dias.
É nas margens do Douro que se estende a mais característica e das mais belas zonas do Porto, a Ribeira. Fotografar o Rio Douro é uma corrente de inspiração.

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O Porto visto do miradouro da Serra do Pilar

3 – As Pontes
São seis as pontes que atravessam o Rio Douro e que ligam as margens das duas cidades vizinhas, o Porto e Gaia.
A começar na mais antiga, a ponte ferroviária de D. Maria Pia, projectada pelo Engº Gustave Eiffel (esse, o mesmo da torre de Paris), inaugurada em 1877 e desactivada e substituída pela ponte de S. João em 1991, passando pelas modernas pontes do Freixo e do Infante, pela fantástica e imponente ponte da Arrábida e terminando na icónica e singular ponte Luís I com os seus dois tabuleiros. É um festim para qualquer fotógrafo cuja tarefa mais difícil é ter coragem de parar de fotografar.

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Cruzeiro no rio Douro sob as pontes ferroviárias de D. Maria Pia e S. João

4 – A Arquitectura

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Edifício da sede da Vodafone no Porto

Há edifícios cuja arquitectura atravessam grande parte da história da cidade, desde a Torre da Rua de Baixo do séc XIII, na Ribeira, passando pelos inúmeros projectos da autoria do arquitecto italiano Nicolau Nasoni, tendo como mais emblemático sem dúvida a Igreja e Torre dos Clérigos, o Teatro Nacional de S. João construído no início do Sé. XX e projectado pelo Arquitecto português Marques da Silva, até às modernistas Casa da Música projectada pelo arquitecto holandês Rem Koolhaas, como parte do evento Porto Capital Europeia da Cultura em 2001, e a Sede da Vodafone, desenhado pelos arquitetos José António Barbosa e Pedro Guimarães, no top 20 dos escritórios criativos mais espetaculares do mundo (20 of the world”s most amazing creative offices), é todo um percurso que nos encanta e desvenda a rica história do Porto. Fazer um roteiro fotográfico só com motivos arquitectónicos já resultava numa grande estória.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5 – Os Parques e Jardins
O Parque da Cidade, o maior parque urbano de Portugal, que se estende até ao mar e é composto por uma paisagem sofisticada de lagos, flora e fauna variada, os jardins do Palácio de Cristal com múltiplos miradouros sobre a cidade e o rio, os magníficos jardins da Casa e Museu de Serralves, os românticos jardins da Cordoaria e Botânico, e tantos outros que não é possível enumerar aqui. Todos eles são pérolas para se fotografar.

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Jardim Botânico do Porto

6 – Os Monumentos

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A Sé do Porto à noite

É rica esta cidade do Porto também em monumentos como o ex-libris da cidade a Torre dos Clérigos com 75 metros de altura que se sobem pelos seus 240 degraus e donde se avistam esplendorosas vistas sobre quase toda a cidade, os vários trechos de muralhas medievais onde ainda existem algumas das antigas portas da cidade, a imponente catedral que domina a cidade, a luxuriante igreja de S. Francisco, a magnífica igreja de S. Clara, a quase desconhecida mas fantástica igreja e museu de S. Pedro de Miragaia, o Palácio da Bolsa com o seu mirabolante Salão Árabe, a Estação Ferroviária de S. Bento com o seu interior revestido com mais de 20.000 magníficos azulejos que retratam episódios marcantes da história de Portugal bem como trechos da vida do Séc XIX em Portugal,e tantos, tantos outros que só uma visita pausada à cidade permitirá conhecer. Qualquer um deles é uma atracção para qualquer fotógrafo que queira juntar a sua estória à história do Porto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7 – Os Miradouros
É para muitos, a mais bela cidade da Europa e das mais belas do mundo. Uma das razões que contribuem para essa convicção tem a ver com os seus múltiplos miradouros sobre a cidade e a partir dela. Da Serra do Pilar, na margem sul já em Gaia, a perspectiva que daí se desfruta é esplendorosa, talvez uma das imagens mais impressionantes sobre uma cidade que se pode ter. Do miradouro da Vitória avista-se todo o centro histórico, a ponte Luis I e a Serra do Pilar, e do Passeio das Virtudes o pôr-do-sol sobre o mar é inesquecível. E são só alguns dos muitos que por lá nos esperam. Quase que apetece dizer que a beleza é tanta que as câmaras fotográficas não precisam do fotógrafo.

Pictury Photo Tours - Jardins do Palácio de Cristal, Porto, Portugal
Miradouro dos Jardins do Palácio de Cristal

Porto, Can’t Miss It!

Fotos e texto:
José Manuel Santos

 

 

O que é que o famoso fotógrafo americano Trey Ratcliff diz sobre o Porto?

Porto Can’t Miss It!… Faça como o Trey Ratcliff e reserve um Passeio Fotográfico no Porto clicando aqui:

Clique Aqui

 

O que é que o meu querido amigo e famoso fotógrafo americano, Trey Ratcliff, disse sobre o Porto (e sobre mim e a Pictury Photo Tours!)

Last year, our 80 Stays tour around the world took us to beautiful Porto, Portugal! My friend Jose took us all around…

Publicado por Trey Ratcliff em Quarta-feira, 2 de maio de 2018

A Pictury Photo Tours está a atravessar fronteiras na companhia dos meus amigos fotógrafos Ugo Cei, de Itália, e Ralph Velasco, dos EUA, grandes fotógrafos e Photo Tour lideres internacionais que tiveram a amabilidade de me entrevistar recentemente.
Podem ouvir em baixo e seguir-nos em www.picturyphototours.com

TTIM 126 – José Manuel Santos in Porto

Primeiro Passeio Fotográfico da Pictury Photo Tours
1º Passeio Fotográfico no Porto da Pictury Photo Tours

Assim dita a canção do Sérgio Godinho, cantautor do Porto que muito admiro. A música faz parte da nossa vida, tem um efeito extraordinário no despertar de emoções e as palavras cantadas em Português são abençoadas.

Hoje escrevo com uma paz e um sentimento de que a partir de agora tudo vai correr bem. É uma sensação tão boa…

Ontem inauguramos oficialmente a Pictury Photo Tours, juntando um grupo de amigos para um pequeno passeio pelo Porto, aquele Porto de ruelas empedradas, estreitas e velhas que está lá sempre para nós e que sentimos o quanto gosta de ser partilhado. Começamos no Jardim das Virtudes, diferente a cada visita, mas onde nos sentimos sempre livres.

Próxima paragem, a Igreja de S. Pedro de Miragaia, com o seu magnífico retábulo, lindo! Fomos recebidos pela D Zulmira, a quem agradeço a generosidade e simpatia com que nos deu a conhecer todo o recheio desta igreja que vale bem a visita.

Agora vamos ser todos (quando digo todos são mesmo todos, porque eu e os nossos filhos também não sabíamos o que ia acontecer, foi tudo preparado pelo meu marido) surpreendidos (sempre gostou de surpreender e não perdeu o jeito…) pelo nosso guia. Temos uma sessão de um filme em 5D sobre o Porto que recomendo vivamente. É uma forma diferente e divertida de ver o Porto.

O passeio está quase a terminar. Vamos ainda percorrer uma rua tão estreita que termina numas escadas que dão para um pequeno largo onde só existem as portas de 3 casas, somos obrigados a voltar para trás. Muito curioso e invulgar.

Espera-nos um jantar no Espiga que é um espaço realmente simpático e com uma preocupação em promover iniciativas culturais que para mim é importante para a cidade e onde se come bem.

Terminamos o dia com a apresentação de um vídeo lindo (sei que sou suspeita, mas gosto mesmo muito) e testemunhos elogiosos de fotógrafos que conhecem o trabalho do meu marido. Obrigada a todos.

Para terminar, quero agradecer a todos os que estiveram presentes e aos ausentes que estão desde o inicio a “torcer” por nós.

Quero ainda dizer que, apesar de dar muito trabalho, tem sido para mim um prazer colaborar neste projecto que mesmo não sendo meu, tem todo o meu amor. Estarei sempre com toda a disponibilidade para vos receber com o meu maior sorriso.

Até sempre.

 

Maria José Dias

Hoje vamos fazer um passeio tão bonito e tão tentador que é irresistível.
Saímos cedo de casa em direcção ao Porto, estacionamos o carro no parque junto à igreja de S Francisco (já falei nesta verdadeira pérola). O nosso programa é irmos de eléctrico até ao passeio alegre na foz e fazer o percurso inverso a pé (é uma caminhada que vale mesmo a pena, vimos embalados pelo mar e depois pelo rio).
O eléctrico é antigo, mas está recuperado, o que faz com que nos transporte de uma forma confortável. A viagem é bonita e conseguimos ver o que nos rodeia calmamente, porque circula devagar. É para mim um gosto ver o movimento de pessoas que entram e saem, turistas, mas também muitos tripeiros com a sua genuína forma de ser e de estar, vale a pena apreciar. Chegamos ao jardim do passeio alegre que acho um dos jardins mais bonitos da cidade, não só por estar junto ao mar, mas também pelo seu desenho e pelas belas fontes. O conjunto de árvores é magnífico, costumamos dizer que as árvores morrem de pé, mas estas são de certeza imortais, estão sempre tão luxuriantes.
Comecemos a nossa caminhada junto ao mar seguindo o recorte da foz do rio Douro. Este percurso é mesmo fotogénico, ouvem-se dezenas de clics. Do nosso lado direito temos o mar, do lado esquerdo o velho casario, algum recuperado e bem, pois a traça mantém-se, como devia ser sempre. Chegamos ao Farol de S. Miguel que é um primitivo farol Português, classificado como imóvel de interesse público no cais do marégrafo. É o primeiro edifício puramente renascentista datado em Portugal e um dos mais antigos da Europa. Mais à frente eis que nos surge um anjo que parece que nos vai abraçar com todo o carinho (e como são bons os abraços). Trata-se do Anjo Gabriel, uma obra soberba da escultora Irene Vilar, nascida em Matosinhos, que dedicou grande parte da sua obra à cidade do Porto. Esta é talvez a sua obra mais emblemática, dedicada à cidade, inaugurada em 2001 e que, segundo a autora “trazia a boa esperança à cidade do Porto”, Salvé quem vier por bem!
Paremos, respirem fundo e abram o coração. Esta paisagem é única e deslumbrante. Conseguimos ver o rio a entrar no mar, a força e o volume da água em correntes opostas. À nossa frente temos o que é para mim um dos meus locais naturais preferidos da cidade e que por isso dá nome ao texto: o cabedelo.
Este local é mágico. Trata-se de uma língua de areia que entra pela água dentro e que me traz maravilhosas recordações de infância. Pés descalços, correr na areia, aquela sensação infantil, tão boa, de liberdade e de pura felicidade. Aquela areia é para mim diferente de todas as outras, mais macia, mais branca. Era um passeio que fazia acompanhada pelo meu pai e pelo meu padrinho (de quem tenho tantas saudades) e que me deixavam ser criança. Íamos num barquinho para a outra margem, o que já era uma festa (tenho um verdadeiro fascínio por barcos, por andar em cima da água), e caminhávamos até descer para a areia, passávamos horas a brincar, a ver as aves, a usufruir sem pressas. Falta falar da minha irmã mais velha que fazia com que este verdadeiro regalo fosse ainda mais especial. Ainda hoje só de olhar para o cabedelo, qualquer tristeza se desvanece.

Reserva natural do Cabedelo
Estuário Do Douro Local Nature Reserve

Toda a envolvente deste anjo protector merece uma demorada atenção. Vamos continuar o passeio. Há uma passagem com uma pequena ponte que é um santuário para quem gosta de aves, nos nossos dias é possível ver espécies que há uns anos atrás não se viam, talvez devido às alterações climáticas de que tanto se fala e a que todos devem merecer uma reflexão. Do nosso lado esquerdo há um edifício muito bonito mas muito degradado que julgo pertencer ao ministério da defesa, merecia ser recuperado, uma pena. Ao nosso lado, lembrem-se que caminhamos junto ao rio, há uma barraquinha com umas mesas onde estão sempre alguns velhos (gosto desta palavra, uso-a com todo o respeito) a jogar cartas, vale a pena parar e ouvir um pouco as conversas, são todos simpáticos e disponíveis, quem sabe se não terão uma boa história para contar. Estamos quase a chegar à ponte da Arrábida, cujo arco é uma bela obra de engenharia. É possível fazer uma escalada pelo interior do arco, recomendo aos mais aventureiros. Aqui existe um dos restaurantes do Porto que mais gosto, pela comida, simpatia do pessoal e, sobretudo pela estonteante localização.
O rio faz uma curva fechada, as duas margens têm uma série de pormenores que merecem a nossa atenção. De repente, lá está ela, a maravilhosa ponte Luís I, ai tão linda! Até lá chegarmos acompanha-nos o velho casario que se estende até ao mar (como diz Carlos Tê, tão bem cantado pelo Rui Veloso, de quem não me canso de falar, porque eles merecem, enchem-nos a alma).
É este Porto que se sente nas entranhas e que nos comove sempre. Nunca nos cansamos de viver e sentir esta cidade e de todas as vezes ficamos mais agradecidos!

 

   Maria José Dias

Pictury Photo Tours

Mais um amanhecer doce com a certeza de que terei um dia muito bem passado e que terminará da melhor maneira, a assistir a mais uma peça de teatro.

Hoje o nosso passeio vai ser ao berço da nação, a cidade de Guimarães. Para quem é uma amante da pátria, deste maravilhoso Portugal, é sempre uma inspiração. É uma cidade com um glorioso passado histórico que está associado à fundação da identidade nacional e à língua Portuguesa. É certamente um dos mais importantes destinos históricos do país. Antiga cidade romana, foi escolhida por D. Afonso Henriques (o nosso 1º rei) para capital do reino, após a vitória na batalha de S. Mamede em 1128. Foi classificada como Património Mundial da Unesco em 2001.

Quando se chega a Guimarães há sempre uma sensação boa que não consigo definir, mas que penso será talvez orgulho por ser Portuguesa. Apetece gritar bem alto “Viva Portugal”. Começamos pelo morro onde se erguem dois exemplares notáveis do património vimaranense: O castelo e o Palácio Ducal, LINDOS!
O Castelo de Guimarães foi construído no séc. X, sendo ampliado no séc. XII. Reza a lenda que aqui nasceu D. Afonso Henriques. Em 1910 foi classificado como monumento nacional.
O Paço Ducal data do séc. XV tendo no seu interior um conjunto de tapeçarias flamengas e tapetes persas, soberbos. Ambos valem bem uma visita.

Continuemos então o nosso caminho em direcção à praça principal, o largo da Oliveira.
É tão bom descer calmamente apreciando toda a envolvente. Um verdadeiro labirinto de vielas sinuosas, ladeadas por casas antigas, decoradas com estatuária.
De repente vemo-la com o Padrão do Salado ao centro que é uma pérola gótica (estilo de que tanto gosto) e do lado esquerdo a bela igreja de Nossa Senhora da Oliveira. Esta igreja foi fundada por D. Afonso Henriques e sofreu um restauro no reinado de D. João I, em 1835, após a vitória na batalha de Aljubarrota. A torre é Manuelina (um estilo que é só nosso).
Há uma lenda curiosa associada a esta praça que acho que vale a pena contar aqui. Havia uma oliveira em frente à igreja, cujas azeitonas serviam para fornecer azeite às lâmpadas do altar, contudo, secou e morreu. Mais tarde um comerciante colocou uma cruz no exacto local onde antes existia a oliveira. Milagrosamente a árvore regressou à vida. Infelizmente a que hoje existe não é a original.

Estátua Maria da Fonte, Guimaraes, Portugal
Estátua da Maria da Fonte – Guimarães

 

São horas de almoço e não faltam bons restaurantes em Guimarães. Nós optamos por um que para além de se comer muito bem é uma recuperação feliz de um edifício antigo, o Papa Boa. Recomendo.

A nossa tarde vai ser passada na montanha da Penha para apreciar toda a natureza e usufruir das melhores vistas sobre a cidade.
Vamos subir no teleférico, provavelmente o 1º a entrar em funcionamento em Portugal em 1955. A subida é muito agradável e permite ter uma perspectiva aérea imperdível.
A montanha da Penha, embora remonte ao período pré-histórico, a sua ocupação deu-se nos últimos três séculos, foi quando a relação dos homens com o espaço aconteceu. Trata-se de um local fascinante onde predominam as rochas graníticas. Há um conjunto de grutas, desfiladeiros, fontes, penedos, árvores de grande porte, tudo pronto a ser descoberto e apreciado.
A devoção dos homens faz de facto milagres. O Homem em comunhão com a natureza e com a fé deixa um legado valioso.

Está na hora de descer para um jantar na praça da Oliveira numa esplanada onde apetece sentar e demorar mais tempo do que o necessário, olhar sem pressas para todos os pormenores. Conseguimos jantar calmamente, mas agora temos que nos dirigir para o Museu Alberto Sampaio onde vamos ter o verdadeiro privilégio de assistir à peça de teatro. Penso que é uma dupla imbatível, uma boa peça de teatro num local improvável e tão bonito.

O Museu Alberto Sampaio tem uma das mais valiosas colecções de azulejos e esculturas do país. Destaco também um tríptico em prata, belíssimo que representa a visitação, a anunciação e o nascimento de Cristo. Mas o ex-libris deste local são, para mim, os claustros, deslumbrantes.
Cá vamos nós a subir uma antiga escadaria que nos leva a uma sala pequena em madeira, aconchegante, onde nos sentimos especiais. A peça histórica muito bem representada, com um fantástico guarda-roupa. Parabéns.

Chegou a hora da despedida e parece que já temos saudades. Até breve e até sempre!

 

 Maria José Dias

Pictury Photo Tours

Nada melhor do que levantar de manhã com a alegria de pensar que o final do dia será brindado com mais uma peça de teatro, Viva o Teatro (neste dia que é dele tenho que o celebrar)!

Assim, temos um bom pretexto para irmos cedo para Braga e aproveitar o dia para nos deliciarmos com esta cidade tão minhota e tão bonita.

Braga é, para além de uma cidade cheia de história, a cidade da criatividade, apesar da sua interioridade, sente-se o borbulhar.

Começamos o passeio na Sé que existe ainda antes de Portugal ser país e que é a edificação mais emblemática.

Localizada no centro histórico, tal como a conhecemos foi projectada no final do séc.XI pelo Bispo D. Pedro. Pensa-se que foi construída onde antes existiu um templo romano dedicado à deusa Ísis (deusa da maternidade e da fertilidade, protetora da natureza e da magia – este edifício é mesmo mágico). Oferece-nos um conjunto de estilos, desde o românico, ao gótico e ao barroco.

No seu interior estão os túmulos dos “pais” mais importantes de Portugal, os de D. Afonso Henriques, o nosso 1º Rei. Apreciemos.

Sempre que vou a Braga gosto de andar pelas ruas velhas, apreciar calmamente os pormenores, mas também as pessoas com toda a sua simpatia e generosidade.

Um dos edifícios que mais gosto é o palácio do Raio, sublime!

Tem tudo aquilo que na minha imaginação um palácio deve ter, tão cheio de pormenores, com todos os magníficos azulejos (que tanto gosto e que tão bem representam Portugal), sumptuoso e tão diferente. É mesmo especial.

Não posso deixar de fazer referência ao arquiteto a quem devemos a sua existência para nosso deleite, André Soares.

André Soares e Carlos Andrade são dois dos arquitetos mais importantes para a cidade de Braga. Já alguém dizia que a arquitetura é a arte maior.

Continuando o nosso passeio temos que passar no chamado Arco da Porta Nova que nunca teve uma porta, mas que vale a pena apreciar, sobretudo as esculturas do topo. Este arco vai dar a uma praça com uma fonte muito bonita onde antes se realizava um mercado de peixe. É sempre interessante imaginarmo-nos noutras épocas.

Há ainda uma curiosidade que tem a ver com a autoria deste arco, há dúvidas quanto ao arquiteto responsável, André Soares ou Carlos Amarante.

São horas de almoço e a fome aperta. Temos ainda uma tarde longa, mas de certeza que vai valer a pena.

O almoço no S. Frutuoso, um dos clássicos de Braga retempera e é sempre tão bom.

Bom Jesus do Monte sanctuary in Braga, Portugal
Capelas do Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga, Portugal

Vamos então a um dos sítios preferidos, o Bom Jesus do Monte ou de Braga.

Como o nome indica fica num monte e tem uma das construções mais curiosas que conheço, trata-se de uma escadaria com 573 degraus onde estão representados em cada patamar os cinco sentidos humanos em fontes com pormenores encantadores, cuja autoria é do arquiteto Carlos Amarante.

Recomendo a subida a pé, para os mais corajosos, vale a pena, quado chegamos lá acima sentimo-nos uns conquistadores.

Há a possibilidade de subir no funicular (tem que se experimentar para subir ou para descer) que foi inaugurado em 1882 e é o mais antigo do mundo em actividade. É uma extraordinária obra de engenharia do português Raul Mesnier de Ponsard, movido a água por contrapeso, constituído por duas cabines, ambas com depósitos de água e ligadas por um cabo. Verdadeiramente engenhoso.

Os conquistadores chegaram e vão agora sentir estes jardins que só por si valem a visita. A natureza no seu melhor, seja qual for a época do ano.

Para quem é crente, a natureza é mesmo uma dádiva de Deus e para mim estes jardins são a prova disso. Estamos num conjunto de extensos jardins, lagos, grutas, trilhos e coretos, um verdadeiro festim. Vale mesmo a pena deixar-se inebriar e envolver pela natureza, descobrir todos os recantos que são sempre surpreendentes. Uma tarde muito rica.

Vamos lá descer nesse fantástico funicular de que já vos falei (sim, não se esqueçam que a subida foi a pé).

Jantamos num restaurante na zona histórica que eu gosto muito, tanto pela sua beleza, como pela comida que oferece. Moderno, mas num edifico antigo que foi recuperado da melhor forma.

Tenho o coração aos saltos, já vejo a entrada do Theatro Circo.

Respirem fundo, vamos entrar num dos teatros mais belos do país e se calhar do mundo. A inauguração deste teatro aconteceu no dia 21 de Abril de 1915, um projecto do arquiteto João Moura Coutinho, porque houve a necessidade de dotar a cidade de um espaço cultural de grande dimensão. Após anos de declínio, acabou por ser restaurado e hoje é um verdadeiro ícone cultural.

É para mim difícil descrever o quanto me comove todo o espaço envolvente, é mesmo de ir às lágrimas. Tão bonito que dói! (Uma dor boa, naturalmente.)

A peça correspondeu às expectativas e todas as palmas que receberam foram merecidas. Obrigada.

Chegou a hora do regresso ao “meu” mar que tanta falta me faz. Apesar de ser noite deixa-se iluminar por um luar doce, vejo que me cumprimenta a dar as boas vindas.

Até sempre Braga, prometo que virei mais vezes.

 

 Maria José Dias

Pictury Photo Tours

Da varanda estreita
sinto o sol invadir-me.
Com os olhos fechados
vejo esta bela cidade.
A torre,
de Teixeira de Pascoaes,
surge orgulhosa:
“O Porto espremido para cima”.

Descemos a preciosa escadaria ladeada de vitrais que nos conduz à rua. Vamos iniciar a nossa cruzada de turistas acidentais.

Primeira visita, a casa da fotografia em frente ao jardim com as “minhas” árvores que apesar de doentes, cresceram e ficaram formosas. Desfrutamos, de olhos bem abertos, de todas as
imagens expostas, porque valem a pena. Continuamos o nosso passeio calcorreando as ruas íngremes, sinuosas e cheias de história desta cidade rumo ao miradouro que é das virtudes, será, se calhar, pela deslumbrante vista.

Mas, para mim, o que mais me enche a alma é a maravilhosa escultura do mestre José Rodrigues ( tanta saudade…), cavalos e homens de/em ferro que tão bem simbolizam a beleza e a força destes tripeiros.

Paragem obrigatória na taberna Sto. António do Sr Vitor cuja simpatia é tão cativante que faz com que se coma ou beba mesmo sem fome ou sem sede. O passeio ainda não acabou,
esperam-nos umas velhas e gastas escadas que desembocam mesmo ao lado do largo de S. Domingos e onde se senta um personagem tão tipico que me brinda com uma frase bem humorada:” Que bom não haver elevador”.

Separação de grupo, sigo com as “benjamins”, rua das flores acima e mais uma paragem obrigatória na que é, talvez, a sala de chá mais charmosa e preciosa, como o nome indica, a
ourivesaria Aliança. Uma agradável e surpreendente conversa!

Estamos quase a terminar esta jornada, mas ainda vamos subir a rua dos clérigos, a da tal torre que falei no inicio e da qual não se consegue desviar o olhar, embora tenhamos mesmo que o
fazer para não perdermos todas as varandas de ferros retorcidos, uma obra-prima.

Tão bom! Amo finalmente esta cidade, que não sendo a minha, sinto, respiro e vivo como se fosse.

 

 Maria José Dias

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Uma das coisas que me apazigua porque me enche a alma é passear pelo Porto sem horas, sem destino e se calhar sem ter ainda uma ideia definida de onde quero ir.

Procuro fazê-lo sempre que posso, esta cidade está sempre lá para mim.

Cheguei cedo num dia de inverno soalheiro (no inverno a luz é sempre mais límpida) para mais um destes passeios à minha medida. Comecei pela “cascata S. Joanina” tão bem simbolizada pelo Carlos Tê que para mim é o melhor “cantador” (sim também se pode cantar com as palavras que se escrevem) do Porto e que homenageio com o titulo desta estória.

Não posso deixar de falar no Rui Veloso que canta do coração e que com o Carlos forma uma dupla imbatível.

Fiquei algum tempo parada de pescoço no ar a ver as roupas estendidas numa varanda e a imaginar como seria o dono das roupas, seria com certeza uma pessoa alegre e ousada, as
cores e os modelos das peças fizeram com que eu o pensasse.

Comecei a saber onde iria a seguir, ao Palácio da Bolsa, porque é mesmo um sitio onde vale sempre a pena ir, vemos sempre algo novo e parece mais bonito a cada nova visita.

Uma das salas que mais me encanta é a da entrada que é um pátio (pátio das nações) amplo, cheio de luz com um fantástico pé direito e que nos faz sorrir se pensarmos que simboliza a união dos povos. Apreciem bem e ganhem alento para continuar porque não vão ficar desiludidos. Todo o edifício é realmente bonito, mas prestem atenção à biblioteca, pequena mas bela. Agora respirem fundo, sugiro que fechem os olhos antes de entrar e os abram já dentro do salão árabe. Podem e devem soltar um “uau”! É impossível não expressar uma emoção ou várias. Lindo!

Saio, o sol está mais forte e a luz continua inspiradora…

Vou àquela que é para mim a igreja mais bonita do Porto, a de S. Francisco. É uma igreja do séc. XIV, gótica, uma preciosidade. No séc. XVI João Castilho desenhou a capela de S, João Baptista, mas foi no séc. XVIII que houve um conjunto de obras significativas que deram a este templo, sagrado pela sua beleza, o esplendor barroco preservado até aos dias de hoje. Quando entramos ficamos deslumbrados com o que vemos, parece coberta de ouro. Abençoada talha dourada.

Tenho pena, mas acabou a manhã e tenho fome. Entro num restaurante pequeno, acolhedor (com a pedra granítica à vista, o Porto no seu melhor), perguntam-me se estou sózinha , perante a resposta afirmativa dizem-me carinhosamente que não, que estou com eles e para estar á vontade, touché. Tão bem que comi.

Fome saciada tenho que regressar a casa…aproveito para desfrutar da marginal junto ao douro e depois o mar…este mar que todos os dias me acompanha e que como dizia a poetisa que mais admiro, Sophia de Mello Breyner, “só me arrependo dos dias que passei longe dele”.

 

    Maria José Dias

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Era uma vez…preparem-se, vou tentar contar a nossa história de muitos anos a viajar pelo país, aquele que já foi tão profundo que não se via vivalma. Agora continua isolado, mas apesar de tudo, mais conhecido e acessível.

Espero que gostem e que tenham um embalo bom, pois não pode ser feito em poucas palavras, é que são muitos anos a dois.

Vamos lá então… Costumamos dizer: “Lembras-te quando éramos pequeninos e fomos à aldeia da Pena?” Sim, éramos, de facto, dois jovens e um dos nossos grandes prazeres era viajar pelo país, conhecê-lo para o podermos celebrar, como tão bem o foi nesses maravilhosos e inesquecíveis guias “As mais belas vilas e aldeias de Portugal” e “O Tempo e a Alma”.

Calcorreamos este Portugal, aquele que sabíamos que quando chegássemos não haveria ninguém como nós só a passear e mesmo os locais eram muito poucos,  sempre com “estórias” tão ricas e tão pobres, duras, mas apesar disso contadas com sorrisos doces em rostos gastos.

Conversavam connosco com uma generosidade que é tão Portuguesa, tão genuína, tão nossa. Mostravam-nos as suas preciosidades que são nestas paragens  as vacas, as ovelhas, as cabras e os cães, sempre os cães, porque esta gente aparentemente rude tem uma ligação muito forte com os seus animais e eles correspondem.

É muito difícil para um citadino perceber que aquele aldeão que não sabe ler, nem escrever, conhece todas as suas ovelhas e que todas têm um nome (para mim são todas iguais…não chega saber ler).

A Lenda

Há uma lenda que se conta nesta aldeia que me parece muito peculiar e que vos quero contar. A Pena fica perto de S. Pedro do Sul (Beira Alta) num “buraco” e a estrada de acesso, na altura, era em terra, imaginam como era difícil lá chegar, mas havia um desfiladeiro estreito que se podia fazer só a pé, muito perigoso, que ligava à aldeia vizinha de uma forma bem mais rápida. Nessa outra aldeia havia um cemitério (a Pena é tão pequena que não tem o seu próprio cemitério). Conta então a lenda que um dia morreu um dos poucos habitantes e os seus amigos resolveram levar o caixão em braços pelo desfiladeiro, acontece que se desequilibraram e caíram, claro que morreram. A partir desse dia o desfiladeiro ficou a ser conhecido como “o desfiladeiro do morto que matou o vivo”.

Apesar do nome, vale a pena fazê-lo com todo o cuidado, a vista é deslumbrante.

Hora de regresso a casa depois de mais um dia em cheio, o Porto espera por nós. Na altura o regresso era sempre feito pelo tabuleiro superior da ponte Luis I (mesmo não sendo o caminho mais rápido para chegar a casa), porque era imperdível e sempre diferente a “cascata S. Joanina”.

 

   Maria José Dias

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