Eu explico este hino…os lavadouros do Porto eram lugares exclusivos de e para as mulheres.

Bem-vindos a um património tão peculiar, tão espartano, mas tão fotogénico.

 

OS LAVADOUROS DO PORTO

O Porto tem belos exemplares de lavadouros distribuídos por várias freguesias da cidade de diversos formatos e tamanhos tendo em comum uma laje em pedra para esfregar a roupa.

Estes espaços eram locais de socialização, várias mulheres em amena conversa e convívio ficavam a conhecer os boatos e mexericos, falavam da vida alheia, dos amores e desamores, das infidelidades, enfim lavavam “a roupa suja”!

Havia sempre quem cantasse e era aqui que surgiam muitas das “modas” novas, assim, uma tarefa dura e ingrata, transformava-se em alegria.

Venham daí!

 

LAVADOURO DAS FONTAINHAS

Vou começar este meu passeio por uma das minhas zonas preferidas da cidade, aquela onde eu mais sinto a alma portuense (o património humano faz toda a diferença), sem filtros, genuína e ao mesmo tempo com uma paisagem de cortar a respiração… há lá cenário mais perfeito!

Vale a pena ir a pé a partir da maravilhosa Sé do Porto (já voltamos a este bairro), passar ao lado do que resta da muralha da cidade, calcorrear o empedrado, passar por baixo de um viaduto e por fim chegar à Avenida das Fontainhas.

Vamos devagar, respirar fundo e apreciar.

Porto-Lavadouro das Fontaínhas
Lavadouro das Fontaínhas

O Douro lá em baixo, largo e forte é belíssimo, a ponte Luis I, uma pérola da arquitetura em ferro, a ponte do Infante (recomendo atravessar a pé, devagarinho, quase pé ante pé mas de olhos bem abertos).

Em seguida, por baixo da ponte, temos umas escadas que dão acesso ao lavadouro, é bom imaginá-lo cheio de mulheres a lavar, a conversar e a cantar…com esta vista ajuda a romantizar uma vida que seria de certeza muito dura.

Este lavadouro já serviu de palco para várias iniciativas e projectos muito interessantes cujo objectivo é unir ainda mais os habitantes locais e tentar o equilíbrio entre turismo e residentes.

Se continuarmos a descer encontramos hortas comunitárias, onde todos podem semear num respeito pelo bem comum e pela partilha.

Podemos descer até ao rio…tudo é uma surpresa e a envolvente é deslumbrante.

Lembram-se de ter dito que voltaríamos ao bairro da Sé, pois está na hora, se não se importarem voltamos pelo mesmo caminho, acreditem nunca cansa.

 

LAVADOURO DA SÉ

Estamos então num dos bairros mais típicos do Porto, aquele com umas ruelas tão estreitas e sinuosas que sentimos sempre que cada uma delas tem muitas histórias para contar.

Porto-Lavadouro da Sé
Lavadouro da Sé-Porto

É neste bairro que encontramos um lavadouro restaurado com um portão vermelho cuja chave é orgulhosamente guardada pela D. Antónia.

Abre todos os dias o portão e embora lamente que já não haja “bichas” para arranjar um lugar nestes pequenos tanques alinhados com uma torneira cada um, gosta que os turistas entrem, fotografem e se divirtam aqui.

Alguns aproveitam para lavar a roupa, fazem uma sesta enquanto esperam que seque.

É também aqui que encontramos a D. Rosa Dias que esfregou 40 anos a roupa dos outros.

Agora na bacia só leva a dela. “Não há nódoa que resista ao esfregar na pedra. Nem minga, nem nada. A roupa fica sempre bonita. Estendida na corda parece um postal ilustrado”.

Vamos continuar a nossa visita guiada a um dos jardins mais bonitos do Porto e onde existe mais um lavadouro.

 

LAVADOURO DO JARDIM DE ARCA DE ÁGUA

Estamos num jardim no meio da cidade, mas onde é possível usufruir de uma paz e tranquilidade únicas.

O Jardim de Arca de Água é realmente único e muito antigo, com umas árvores que quase tocam o céu assim como belíssimos plátanos que nos dão vontade de agradecer a dádiva da natureza.

Aqui existe mais um lavadouro que completa de uma forma perfeita toda esta beleza.

Porto-Lavadouro de Arca d'Água
Lavadouro de Arca D’Água

Em tempos idos os reservatórios de Arca de Água foram o sustento de muitas fontes e chafarizes do Porto.

Há todo um percurso subterrâneo a atravessar o jardim com um conjunto de galerias e que é visitável.

Sentemo-nos num destes bancos de madeira a usufruir da sombra de uma árvore magnífica pois “Não há sombra igual à de uma árvore”.

Podemos cumprimentar os cisnes, ouvir a passarada ao fim da tarde, verdadeira sinfonia. Tão bom.

O Porto tem mais lavadouros e todos valem uma visita…estão sempre à espera de serem apreciados…

Vou terminar este hino (lembrem-se que é um hino às mulheres do Porto, mas também a esta bela cidade) com uma visita a um dos museus imperdíveis, o Museu Soares dos Reis.

 

MUSEU SOARES DOS REIS

Bem-vindos a um espaço onde a arte tem a palavra.

Quero enaltecer este Museu, porque para mim, tudo é perfeito neste espaço.

Todo o acervo é significativo, o edifício (Palácio das Carrancas) é lindíssimo, a forma como as obras estão expostas é perfeita, enfim, trata-se de um museu de belas artes, artes decorativas e arqueologia.

Apreciem a homenagem às lavadeiras numa peça do escultor Gomes Américo, cujo título é: Monte Cativo do Porto. LINDA!

O Porto, sempre o Porto, lindo, vivo, com raça, mas sobretudo com memória!

Obrigada a esta cidade.

Maria José Dias
Maria José Dias

 

 

Visite os nossos tours fotográficos!