AS CARQUEJEIRAS DO PORTO

“Via mais longe as mulheres da carqueja,

Curvadas sob molhos incríveis,

Subindo dos barcos rabelos para o cais e,

Calçada da Corticeira acima,

aos rodeios, com uma lentidão e persistência de insectos.

A Calçada da Corticeira,

Ruim de subir, ruim de descer,

Tão ingreme que

parecia um traço quase vertical na encosta.”

PROF. HELDER PACHECO

 

Em primeiro lugar começo com as palavras do Prof. Helder Pacheco, pois para mim é uma referência, é quem melhor “canta” esta cidade do Porto. Obrigada.

Vamos falar das carquejeiras, ou seja, das mulheres árvore, descalças, a caminhar pelo Porto.

Tenho de falar delas, porque a memória faz parte de mim, porque aconteceu, porque se passou num dos locais que mais amo no Porto e porque desde que despertei para este drama que desconhecia, que procuro informação, relatos, testemunhos. 

Enfim, há muitos anos, não tantos assim, houve no Porto uma raça dura de mulheres a que se chamavam “as carquejeiras”.

As Carquejeiras do Porto

Estas mulheres, pobres, todas elas curvadas de carqueja, começavam a sua viagem não muito longe da ponte Luis I e levavam-na à Foz, a Paranhos.

Distribuíam-na por toda a cidade, mas o caminho tormentoso, duro, impensável, criminoso que tinham de percorrer começava mesmo ali nos pés do cais onde os barcos rabelos despejavam a carqueja que elas transportavam pela calçada da corticeira acima.

Esta calçada hoje é das carquejeiras numa justa mudança de nome que a Câmara do Porto decidiu fazer.

A calçada das carquejeiras tem uma inclinação quase vertical, pedras largas, outras mais pequenas que não assentam todas da mesma maneira, isto é, descer sempre com medo de cair, subir parece uma missão impossível.

Pensar que estas mulheres subiam descalças várias vezes ao dia, carregadas com pelo menos 30 quilos à cabeça a troco de uns tostões, deixa-me arrepiada!

A importância das carquejeiras do Porto

Fontaínhas, Porto
Calçada das Carquejeiras – Fontaínhas

A carqueja era levada para as padarias, para as casas senhoriais e era usada nos fornos para cozer o pão, para aquecer as ditas casas. Era um drama silencioso e silenciado.

Custa aceitar que uma cidade tão generosa tenha pactuado durante tanto tempo com esta escravidão humana.

Este martírio acabou nos anos 60 quando o vegetal, enfim, se apagou nas padarias, carvoarias, cerâmicas e passou a ser tudo feito a maçarico, gás, electricidade (“até para acender um fogareiro é com jornais”).

O nosso Soares dos Reis não resistiu ao desafio de transpor para a matéria, o sorriso envergonhado, os cabelos desalinhados daquela flor agreste.

Uma das obras mais emblemáticas do mestre Soares dos Reis teve como modelo a filha de uma carvoeira (transportavam carvão, lado a lado com as carquejeiras) que era sua vizinha.

Trata-se de um busto lindo, comovente.

Com a sua sensibilidade decidiu eternizar o povo do Porto. A pintora Aurélia de Sousa (que muito aprecio e cujo auto-retrato se encontra no Museu Soares dos Reis, vale a pena apreciar, dos mais belos auto-retratos que conheço) imortalizou as carquejeiras numa pintura com uma força desconcertante.

Os artistas sabem celebrar os que merecem Felizmente, o Porto tem muita gente com memória e com sonhos, aqueles que acreditam que a cidade-povo também merece ser lembrada.

Terminado que está o seu martírio, vivam pelo menos as carquejeiras na memória da cidade.

A última carquejeira do Porto

A última carquejeira do Porto, Palmira de Sousa, morreu em 2014 com 102 anos.

Num testemunho, contou que com 10 anos começou a acompanhar a mãe no transporte da carqueja.

Viveu durante muitos anos na Ilha Maria Vitória nas Fontaínhas (existem 4 ilhas nesta zona do Porto onde vivem pessoas extraordinárias que vale a pena conhecer, que nos recebem com um sorriso e nos abrem as portas das suas  histórias de vida).

Casou e foi viver para outra ilha, a ilha 50, mas a casa onde vivia foi arranjada e ficou para um GNR, obrigando-a a ir viver para o Bairro do Lagarteiro.

Sentiu muito a falta da corticeira, tinha que lá ir todas as semanas. Era uma festa voltar. Disse que depois do 25 de Abril vivia melhor, tinha de comer, via televisão.

“Dantes tinha uma vida estúpida, agora dou uns passeios com o meu filho à Sra da Saúde, uns passeínhos bons”.

Um agradecimento sentido

Estátua das Carquejeiras
Monumento às Carquejeiras

Por último quero agradecer, a uma pessoa que não conheço, mas pela qual sinto um profundo respeito, Maria Arminda Santos.

Esta senhora é a principal responsável pela existência de uma escultura da autoria do escultor José Lemos, arrepiante de tão forte, belíssima. “Da cidade às carquejeiras”.

A estátua que não sofrendo, eterniza as dores. Estátua que nasceu de um sonho de uma mulher para homenagear outras mulheres.

Acreditou, juntou forças vivas do Porto e ao fim de 4 anos, conseguiu. PARABÉNS. Missão cumprida.

As cidades não se constroem só de granito, mas da memória de quem nelas viveu, da sua passagem pelo mesmo espaço onde nos toca viver.

 

A todas as “mulheres ouriço” (foi assim que as chamou o Prof. Helder Pacheco, é mesmo assim que eu as imagino) o meu eterno respeito.

A alameda das fontainhas está ainda mais bonita pois a força desta escultura é arrebatadora, estremecemos quando a admiramos. Assim, recomendo que a observem como ela merece.

Bem-hajam todos os que contribuíram para a memória deste nosso Porto…

 

by: Maria José Dias

Maria Veneza
   Maria José Dias

 

 

 

 

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(Sr Alberto, o homenageado e guardião da Capela do Senhor d’Além)

Tão difícil está a ser começar a escrever…escrever com mágoa não me traz inspiração, prefiro escrever com alegria.

Hoje estou triste, continuo triste, mas sinto que o sr Alberto merece esta homenagem e merece que eu agradeça toda a generosidade que senti quando o conheci.

 

A Capela do Senhor d’Além

O Guardião da Capelo do Sr. Além
Capela do Sr. D’Além aquando a nossa visita

O sr Alberto foi durante muito tempo o guardião desta capela que está nas escarpas da margem esquerda do rio Douro muito perto da serra do pilar.Este homem vivia dentro dela com os seus cães

em condições degradantes, mas recebia os curiosos de uma forma desarmante, quase como se nos mostrasse um palácio.

Era o seu palácio, aquele lugar repleto de tralhas, com vestígios de peças antigas, cuidadosamente protegidas por ele para que não ficassem mais estragadas.

Conheci-o num passeio fotográfico que a Pictury Photo Tours organizou pelo Porto e que acabou do lado de lá do rio, precisamente neste local mágico.

Fomos recebidos com alegria por este ser humano, magro, com marcas do tempo que não estavam de acordo com a sua idade. Mas sempre se mostrou sorridente e orgulhoso do seu templo.

 

 

O guardião da capela até ao último minuto

Contou-me que tinha licença para lá viver e que quando a capela fosse restaurada teria de sair…ele sabia que era inevitável.

Foi um dia maravilhoso e que acabou da melhor maneira, apesar de ter sentido um turbilhão de emoções, de ter pena dele, de achar que tinha de fazer alguma coisa, era realmente um privilégio e uma lição de vida alguém estar feliz a viver assim.

Foi o que senti, ele tinha que ficar ali até ao fim, quase como o capitão…ser o último a abandonar o navio.

Falamos várias vezes em lá voltar, iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Sempre que voltava às fontainhas, olhava para a capela e dizia olá ao Sr Alberto. A verdade é que não voltei a tempo.

De repente esta notícia devastadora, o guardião suicidou-se… “A vida passa e não espera pela gente”.

Profunda tristeza, um vazio que me desconcerta.

É preciso dizer que a capela já está em processo de restauração, estão a começar pela fachada…aliás o sr Alberto continuava a viver lá, até ter desistido de viver.

Denhor D'Além
Capela do Senhor D’Além

Não sei se se poderia evitar, sei que de alguma maneira me penalizo e a tristeza que sinto é por saber que não o vou voltar a ver, mas gosto de pensar que onde quer que esteja está contente pelo restauro do seu palácio, tenho a certeza que não queria que o deixassem cair.

Termino esta homenagem com palmas sentidas…foi assim mesmo que terminou o passeio, com palmas ao organizador!

Bem-haja, Sr Alberto!

 

by: Maria José Dias

Maria Veneza
Maria José Dias

 

 

 

 

 

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Eu explico este hino…os lavadouros do Porto eram lugares exclusivos de e para as mulheres.

Bem-vindos a um património tão peculiar, tão espartano, mas tão fotogénico.

 

OS LAVADOUROS DO PORTO

O Porto tem belos exemplares de lavadouros distribuídos por várias freguesias da cidade de diversos formatos e tamanhos tendo em comum uma laje em pedra para esfregar a roupa.

Estes espaços eram locais de socialização, várias mulheres em amena conversa e convívio ficavam a conhecer os boatos e mexericos, falavam da vida alheia, dos amores e desamores, das infidelidades, enfim lavavam “a roupa suja”!

Havia sempre quem cantasse e era aqui que surgiam muitas das “modas” novas, assim, uma tarefa dura e ingrata, transformava-se em alegria.

Venham daí!

 

LAVADOURO DAS FONTAINHAS

Vou começar este meu passeio por uma das minhas zonas preferidas da cidade, aquela onde eu mais sinto a alma portuense (o património humano faz toda a diferença), sem filtros, genuína e ao mesmo tempo com uma paisagem de cortar a respiração… há lá cenário mais perfeito!

Vale a pena ir a pé a partir da maravilhosa Sé do Porto (já voltamos a este bairro), passar ao lado do que resta da muralha da cidade, calcorrear o empedrado, passar por baixo de um viaduto e por fim chegar à Avenida das Fontainhas.

Vamos devagar, respirar fundo e apreciar.

Porto-Lavadouro das Fontaínhas
Lavadouro das Fontaínhas

O Douro lá em baixo, largo e forte é belíssimo, a ponte Luis I, uma pérola da arquitetura em ferro, a ponte do Infante (recomendo atravessar a pé, devagarinho, quase pé ante pé mas de olhos bem abertos).

Em seguida, por baixo da ponte, temos umas escadas que dão acesso ao lavadouro, é bom imaginá-lo cheio de mulheres a lavar, a conversar e a cantar…com esta vista ajuda a romantizar uma vida que seria de certeza muito dura.

Este lavadouro já serviu de palco para várias iniciativas e projectos muito interessantes cujo objectivo é unir ainda mais os habitantes locais e tentar o equilíbrio entre turismo e residentes.

Se continuarmos a descer encontramos hortas comunitárias, onde todos podem semear num respeito pelo bem comum e pela partilha.

Podemos descer até ao rio…tudo é uma surpresa e a envolvente é deslumbrante.

Lembram-se de ter dito que voltaríamos ao bairro da Sé, pois está na hora, se não se importarem voltamos pelo mesmo caminho, acreditem nunca cansa.

 

LAVADOURO DA SÉ

Estamos então num dos bairros mais típicos do Porto, aquele com umas ruelas tão estreitas e sinuosas que sentimos sempre que cada uma delas tem muitas histórias para contar.

Porto-Lavadouro da Sé
Lavadouro da Sé-Porto

É neste bairro que encontramos um lavadouro restaurado com um portão vermelho cuja chave é orgulhosamente guardada pela D. Antónia.

Abre todos os dias o portão e embora lamente que já não haja “bichas” para arranjar um lugar nestes pequenos tanques alinhados com uma torneira cada um, gosta que os turistas entrem, fotografem e se divirtam aqui.

Alguns aproveitam para lavar a roupa, fazem uma sesta enquanto esperam que seque.

É também aqui que encontramos a D. Rosa Dias que esfregou 40 anos a roupa dos outros.

Agora na bacia só leva a dela. “Não há nódoa que resista ao esfregar na pedra. Nem minga, nem nada. A roupa fica sempre bonita. Estendida na corda parece um postal ilustrado”.

Vamos continuar a nossa visita guiada a um dos jardins mais bonitos do Porto e onde existe mais um lavadouro.

 

LAVADOURO DO JARDIM DE ARCA DE ÁGUA

Estamos num jardim no meio da cidade, mas onde é possível usufruir de uma paz e tranquilidade únicas.

O Jardim de Arca de Água é realmente único e muito antigo, com umas árvores que quase tocam o céu assim como belíssimos plátanos que nos dão vontade de agradecer a dádiva da natureza.

Aqui existe mais um lavadouro que completa de uma forma perfeita toda esta beleza.

Porto-Lavadouro de Arca d'Água
Lavadouro de Arca D’Água

Em tempos idos os reservatórios de Arca de Água foram o sustento de muitas fontes e chafarizes do Porto.

Há todo um percurso subterrâneo a atravessar o jardim com um conjunto de galerias e que é visitável.

Sentemo-nos num destes bancos de madeira a usufruir da sombra de uma árvore magnífica pois “Não há sombra igual à de uma árvore”.

Podemos cumprimentar os cisnes, ouvir a passarada ao fim da tarde, verdadeira sinfonia. Tão bom.

O Porto tem mais lavadouros e todos valem uma visita…estão sempre à espera de serem apreciados…

Vou terminar este hino (lembrem-se que é um hino às mulheres do Porto, mas também a esta bela cidade) com uma visita a um dos museus imperdíveis, o Museu Soares dos Reis.

 

MUSEU SOARES DOS REIS

Bem-vindos a um espaço onde a arte tem a palavra.

Quero enaltecer este Museu, porque para mim, tudo é perfeito neste espaço.

Todo o acervo é significativo, o edifício (Palácio das Carrancas) é lindíssimo, a forma como as obras estão expostas é perfeita, enfim, trata-se de um museu de belas artes, artes decorativas e arqueologia.

Apreciem a homenagem às lavadeiras numa peça do escultor Gomes Américo, cujo título é: Monte Cativo do Porto. LINDA!

O Porto, sempre o Porto, lindo, vivo, com raça, mas sobretudo com memória!

Obrigada a esta cidade.

Maria José Dias
Maria José Dias

 

 

Visite os nossos tours fotográficos!

Enquanto se desenrolava o trabalho dos repórteres da TVI para a peça que iria passar no Jornal das 8 e da TVI 24, a equipa da Pictury Photo Tours, também fazia o seu trabalho de reportagem.

Resultou neste video que espelha bem esta manhã muito especial.

A Pictury Photo Tours foi “estrela”

Os nossos passeios fotográficos estiveram no Jornal das 8 na TVI (video reportagem) apresentado pelo José Alberto Carvalho, e também nas notícias na TVI24

É notório o crescente interesse e procura pelas férias em Portugal, graças à situação que o país e o mundo estão a atravessar, isto é, por causa da pandemia do Covid-19.

Por outro lado, as restrições que as viagens internacionais estão ainda a ter, tem levado a que os portugueses privilegiem (re)conhecer Portugal.

São cidades, vilas e aldeias, paisagens, belezas naturais, gastronomia, e um sem fim de riquezas que este lindo país, que é nosso, tem para oferecer.

E, é nisto que a Pictury Photo Tours é especialista.

Quem é o líder dos passeios fotográficos

Liderada por José Manuel Santos, fotógrafo profissional de viagens e profundo conhecedor dos cantos e recantos por este país fora.

Assim, desde a década de 80, na companhia do imperdível livro Viagem a Portugal de José Saramago, reforçou o seu amor por Portugal e impulsionou a sua vontade em partir para a estrada em busca deste pequeno mas tão rico território.

Desde aí, não mais parou, sempre de câmara na mão e a alma cheia de paixão.

É assim que depois de uma inesquecível experiência liderada pela Pictury Photo Tours, os nossos convidados para além das memórias levarão consigo um punhado de belas imagens que alimentarão a vontade de regressar ou de desfrutar de outros destinos e experiências.

A reportagem

Esta reportagem dá um cheirinho daquilo que a Pictury Photo Tours pode oferecer, não só na cidade do Porto, mas em qualquer destino em Portugal.

Desde passeios fotográficos de 1/2 dia ou 1 dia no Porto, passando por passeios fotográficos de 1 dia em destinos próximo, e, muito especialmente, passeios e viagens fotográficas “à medida” da expectativa de cada um para qualquer destino em Portugal.

Entre tantos outros destinos, a Ria de Aveiro, as históricas cidades de Braga e Guimarães, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, ou até a Aldeia Mágica de Drave (ver vídeo).

Drave está hoje em dia sem habitantes mas isso não nos impede.

Aliás, talvez por isso esteja envolta numa mística que nos fascina à medida que vamos percorrendo o caminho para lá chegarmos.

Portugal está à nossa espera! Veja os nossos tours fotográficos aqui.

Passeios fotográficos na TVI
Entrevista na TVI

 

 

24 anos depois, regressamos à Aldeia Mágica de Drave, nas profundezas da Serra da Freita.

Da primeira vez, em 1996, visitamos esta encantadora aldeia integrados numa iniciativa do Moto Clube do Porto, que nesse ano decidiu oferecer um Cabaz de Natal ao casal Martins, os dois últimos habitantes da aldeia.

Momento que com certeza perdurará na memória de todos aqueles que nele participaram. E foram muitos!…

 

O início da jornada na Aldeia Mágica de Drave

Desta vez, a Pictury Photo Tours, Passeios Fotográficos em Portugal, reuniu a sua equipa e partiu à (re)descoberta de Drave.

Há muito tempo uma aldeia desabitada, mas que, pela fascinante beleza e mística que a envolve, atrai cada vez mais o interesse de amantes da natureza e do património arquitectónico e cultural português. No entanto é preciso respeitar e preservar este património.

Mágica Aldeia de Drave
A equipa da Pictury na aldeia de Drave

Mais do que as imagens que podemos recolher e partilhar, nada se compara à experiência de sentir a cada momento o impulso de descoberta.

Este sentimento acompanha-nos ao longo de todo o percurso para lá chegar.

Em 1996 fizemos a abordagem pelo sul, descendo desde o topo da serra por picadas empedradas de difícil acesso e sem qualquer sinalização.

Enfim, não havia internet nem gps no telemóvel, pelo que fomos tateando até que a dada altura, ao desfazer uma das muitas curvas que íamos vencendo, aí estava ela no seu silêncio como que à nossa espera.

A verdade é que ainda hoje me arrepia ao lembrar-me deste momento!

Levamos as motos (de estrada!?!?), até onde foi possível, e a partir daí as últimas centenas de metros fizemos a pé.

Sentimos a cada passo que estávamos a entrar num mundo mágico e a construir uma estória que nos acompanharia toda a vida.

Drave-Aldeia-Mágica
Aldeia Mágica de Drave em 1996

A entrada grandiosa em Drave

Assim que atravessamos o riacho que circunda a aldeia e cruzamos os pilares que assinalam a entrada, levantamos a cabeça em direcção ao casario.

Deixamos o olhar percorrer pelas montanhas envolventes e pelo majestoso céu que nos abençoava esta jornada.

Nós estávamos de facto a entrar “noutro mundo”, que podia ser em qualquer recôndito lugar do globo, mas era em Portugal (o tal, que tanto amo e que tão bem conheço!).

Em Junho de 2020, regressamos, mais velhos, mais maduros, se calhar mais contemplativos e na nossa missão de levarmos Portugal a todos, portugueses e estrangeiros, e levarmos todos a conhecer Portugal, também aquele que se calhar poucos ainda conhecem.

Juntamos toda a equipa da Pictury Photo Tours, e partimos a caminho de Drave.

No entanto. desta vez pelo caminho de nascente que parte da vizinha aldeia de Regoufe.

A Natacha Guevara e a Ana Almeida, nem faziam ideia da existência desta mágica aldeia, e tão pouco imaginavam o que iriam encontrar…

Enfim, talvez um dia, alguém com mais arte para a escrita se interesse em escrever a estória desses dias.

 

José Manuel Santos

         Foto Tour Lider

Scott-Kelby-Worldwide-Photowalk
Scott’s Kelby Worldwide Photowalk 2019

PASSEIO FOTOGRÁFICO WORLDWIDE PHOTOWALK – PORTO CAN’T MISS IT

Olá,
No 1º sábado de Outubro de cada ano, fotógrafos e entusiastas da fotografia em todo o mundo saem com as suas câmaras e encontram-se num local escolhido na sua cidade para passear, fazerem fotografia, novos amigos, socializar, ganhar prémios, e fazerem parte de uma grande causa enquanto participam na Scott Kelby’s Worldwide Photowalk®
Não interessa qual é o grau de especialização na fotografia ou o tipo de câmara ou telemóvel que usa para fazer parte do evento deste ano.
Junte-se a mim no Porto Can’t Miss It Worldwide Photowalk em 5 de Outubro às 16,00h nos Jardins de Nova Sintra (Águas do Porto) e venha daí (re)descobrir e fazer muitas e belas fotos para mais tarde recordar.
Inscrição é gratuita. O nº de inscrições é limitado.

Até lá!

José-Porto-Photographer
José Manuel Santos

O que é que o famoso fotógrafo americano Trey Ratcliff diz sobre o Porto?

Porto Can’t Miss It!… Faça como o Trey Ratcliff e reserve um Passeio Fotográfico no Porto clicando aqui:

Clique Aqui

 

O que é que o meu querido amigo e famoso fotógrafo americano, Trey Ratcliff, disse sobre o Porto (e sobre mim e a Pictury Photo Tours!)

Last year, our 80 Stays tour around the world took us to beautiful Porto, Portugal! My friend Jose took us all around…

Publicado por Trey Ratcliff em Quarta-feira, 2 de maio de 2018

A Pictury Photo Tours está a atravessar fronteiras na companhia dos meus amigos fotógrafos Ugo Cei, de Itália, e Ralph Velasco, dos EUA, grandes fotógrafos e Photo Tour lideres internacionais que tiveram a amabilidade de me entrevistar recentemente.
Podem ouvir em baixo e seguir-nos em www.picturyphototours.com

TTIM 126 – José Manuel Santos in Porto

Primeiro Passeio Fotográfico da Pictury Photo Tours
1º Passeio Fotográfico no Porto da Pictury Photo Tours

Assim dita a canção do Sérgio Godinho, cantautor do Porto que muito admiro. A música faz parte da nossa vida, tem um efeito extraordinário no despertar de emoções e as palavras cantadas em Português são abençoadas.

Hoje escrevo com uma paz e um sentimento de que a partir de agora tudo vai correr bem. É uma sensação tão boa…

Ontem inauguramos oficialmente a Pictury Photo Tours, juntando um grupo de amigos para um pequeno passeio pelo Porto, aquele Porto de ruelas empedradas, estreitas e velhas que está lá sempre para nós e que sentimos o quanto gosta de ser partilhado. Começamos no Jardim das Virtudes, diferente a cada visita, mas onde nos sentimos sempre livres.

Próxima paragem, a Igreja de S. Pedro de Miragaia, com o seu magnífico retábulo, lindo! Fomos recebidos pela D Zulmira, a quem agradeço a generosidade e simpatia com que nos deu a conhecer todo o recheio desta igreja que vale bem a visita.

Agora vamos ser todos (quando digo todos são mesmo todos, porque eu e os nossos filhos também não sabíamos o que ia acontecer, foi tudo preparado pelo meu marido) surpreendidos (sempre gostou de surpreender e não perdeu o jeito…) pelo nosso guia. Temos uma sessão de um filme em 5D sobre o Porto que recomendo vivamente. É uma forma diferente e divertida de ver o Porto.

O passeio está quase a terminar. Vamos ainda percorrer uma rua tão estreita que termina numas escadas que dão para um pequeno largo onde só existem as portas de 3 casas, somos obrigados a voltar para trás. Muito curioso e invulgar.

Espera-nos um jantar no Espiga que é um espaço realmente simpático e com uma preocupação em promover iniciativas culturais que para mim é importante para a cidade e onde se come bem.

Terminamos o dia com a apresentação de um vídeo lindo (sei que sou suspeita, mas gosto mesmo muito) e testemunhos elogiosos de fotógrafos que conhecem o trabalho do meu marido. Obrigada a todos.

Para terminar, quero agradecer a todos os que estiveram presentes e aos ausentes que estão desde o inicio a “torcer” por nós.

Quero ainda dizer que, apesar de dar muito trabalho, tem sido para mim um prazer colaborar neste projecto que mesmo não sendo meu, tem todo o meu amor. Estarei sempre com toda a disponibilidade para vos receber com o meu maior sorriso.

Até sempre.

 

Maria José Dias

Era uma vez…preparem-se, vou tentar contar a nossa história de muitos anos a viajar pelo país, aquele que já foi tão profundo que não se via vivalma. Agora continua isolado, mas apesar de tudo, mais conhecido e acessível.

Espero que gostem e que tenham um embalo bom, pois não pode ser feito em poucas palavras, é que são muitos anos a dois.

Vamos lá então… Costumamos dizer: “Lembras-te quando éramos pequeninos e fomos à aldeia da Pena?” Sim, éramos, de facto, dois jovens e um dos nossos grandes prazeres era viajar pelo país, conhecê-lo para o podermos celebrar, como tão bem o foi nesses maravilhosos e inesquecíveis guias “As mais belas vilas e aldeias de Portugal” e “O Tempo e a Alma”.

Calcorreamos este Portugal, aquele que sabíamos que quando chegássemos não haveria ninguém como nós só a passear e mesmo os locais eram muito poucos,  sempre com “estórias” tão ricas e tão pobres, duras, mas apesar disso contadas com sorrisos doces em rostos gastos.

Conversavam connosco com uma generosidade que é tão Portuguesa, tão genuína, tão nossa. Mostravam-nos as suas preciosidades que são nestas paragens  as vacas, as ovelhas, as cabras e os cães, sempre os cães, porque esta gente aparentemente rude tem uma ligação muito forte com os seus animais e eles correspondem.

É muito difícil para um citadino perceber que aquele aldeão que não sabe ler, nem escrever, conhece todas as suas ovelhas e que todas têm um nome (para mim são todas iguais…não chega saber ler).

A Lenda

Há uma lenda que se conta nesta aldeia que me parece muito peculiar e que vos quero contar. A Pena fica perto de S. Pedro do Sul (Beira Alta) num “buraco” e a estrada de acesso, na altura, era em terra, imaginam como era difícil lá chegar, mas havia um desfiladeiro estreito que se podia fazer só a pé, muito perigoso, que ligava à aldeia vizinha de uma forma bem mais rápida. Nessa outra aldeia havia um cemitério (a Pena é tão pequena que não tem o seu próprio cemitério). Conta então a lenda que um dia morreu um dos poucos habitantes e os seus amigos resolveram levar o caixão em braços pelo desfiladeiro, acontece que se desequilibraram e caíram, claro que morreram. A partir desse dia o desfiladeiro ficou a ser conhecido como “o desfiladeiro do morto que matou o vivo”.

Apesar do nome, vale a pena fazê-lo com todo o cuidado, a vista é deslumbrante.

Hora de regresso a casa depois de mais um dia em cheio, o Porto espera por nós. Na altura o regresso era sempre feito pelo tabuleiro superior da ponte Luis I (mesmo não sendo o caminho mais rápido para chegar a casa), porque era imperdível e sempre diferente a “cascata S. Joanina”.

 

   Maria José Dias

Pictury Photo Tours