Mais um amanhecer doce com a certeza de que terei um dia muito bem passado e que terminará da melhor maneira, a assistir a mais uma peça de teatro.

Hoje o nosso passeio vai ser ao berço da nação, a cidade de Guimarães. Para quem é uma amante da pátria, deste maravilhoso Portugal, é sempre uma inspiração. É uma cidade com um glorioso passado histórico que está associado à fundação da identidade nacional e à língua Portuguesa. É certamente um dos mais importantes destinos históricos do país. Antiga cidade romana, foi escolhida por D. Afonso Henriques (o nosso 1º rei) para capital do reino, após a vitória na batalha de S. Mamede em 1128. Foi classificada como Património Mundial da Unesco em 2001.

Quando se chega a Guimarães há sempre uma sensação boa que não consigo definir, mas que penso será talvez orgulho por ser Portuguesa. Apetece gritar bem alto “Viva Portugal”. Começamos pelo morro onde se erguem dois exemplares notáveis do património vimaranense: O castelo e o Palácio Ducal, LINDOS!
O Castelo de Guimarães foi construído no séc. X, sendo ampliado no séc. XII. Reza a lenda que aqui nasceu D. Afonso Henriques. Em 1910 foi classificado como monumento nacional.
O Paço Ducal data do séc. XV tendo no seu interior um conjunto de tapeçarias flamengas e tapetes persas, soberbos. Ambos valem bem uma visita.

Continuemos então o nosso caminho em direcção à praça principal, o largo da Oliveira.
É tão bom descer calmamente apreciando toda a envolvente. Um verdadeiro labirinto de vielas sinuosas, ladeadas por casas antigas, decoradas com estatuária.
De repente vemo-la com o Padrão do Salado ao centro que é uma pérola gótica (estilo de que tanto gosto) e do lado esquerdo a bela igreja de Nossa Senhora da Oliveira. Esta igreja foi fundada por D. Afonso Henriques e sofreu um restauro no reinado de D. João I, em 1835, após a vitória na batalha de Aljubarrota. A torre é Manuelina (um estilo que é só nosso).
Há uma lenda curiosa associada a esta praça que acho que vale a pena contar aqui. Havia uma oliveira em frente à igreja, cujas azeitonas serviam para fornecer azeite às lâmpadas do altar, contudo, secou e morreu. Mais tarde um comerciante colocou uma cruz no exacto local onde antes existia a oliveira. Milagrosamente a árvore regressou à vida. Infelizmente a que hoje existe não é a original.

Estátua Maria da Fonte, Guimaraes, Portugal
Estátua da Maria da Fonte – Guimarães

 

São horas de almoço e não faltam bons restaurantes em Guimarães. Nós optamos por um que para além de se comer muito bem é uma recuperação feliz de um edifício antigo, o Papa Boa. Recomendo.

A nossa tarde vai ser passada na montanha da Penha para apreciar toda a natureza e usufruir das melhores vistas sobre a cidade.
Vamos subir no teleférico, provavelmente o 1º a entrar em funcionamento em Portugal em 1955. A subida é muito agradável e permite ter uma perspectiva aérea imperdível.
A montanha da Penha, embora remonte ao período pré-histórico, a sua ocupação deu-se nos últimos três séculos, foi quando a relação dos homens com o espaço aconteceu. Trata-se de um local fascinante onde predominam as rochas graníticas. Há um conjunto de grutas, desfiladeiros, fontes, penedos, árvores de grande porte, tudo pronto a ser descoberto e apreciado.
A devoção dos homens faz de facto milagres. O Homem em comunhão com a natureza e com a fé deixa um legado valioso.

Está na hora de descer para um jantar na praça da Oliveira numa esplanada onde apetece sentar e demorar mais tempo do que o necessário, olhar sem pressas para todos os pormenores. Conseguimos jantar calmamente, mas agora temos que nos dirigir para o Museu Alberto Sampaio onde vamos ter o verdadeiro privilégio de assistir à peça de teatro. Penso que é uma dupla imbatível, uma boa peça de teatro num local improvável e tão bonito.

O Museu Alberto Sampaio tem uma das mais valiosas colecções de azulejos e esculturas do país. Destaco também um tríptico em prata, belíssimo que representa a visitação, a anunciação e o nascimento de Cristo. Mas o ex-libris deste local são, para mim, os claustros, deslumbrantes.
Cá vamos nós a subir uma antiga escadaria que nos leva a uma sala pequena em madeira, aconchegante, onde nos sentimos especiais. A peça histórica muito bem representada, com um fantástico guarda-roupa. Parabéns.

Chegou a hora da despedida e parece que já temos saudades. Até breve e até sempre!

 

 Maria José Dias

Pictury Photo Tours

Nada melhor do que levantar de manhã com a alegria de pensar que o final do dia será brindado com mais uma peça de teatro, Viva o Teatro (neste dia que é dele tenho que o celebrar)!

Assim, temos um bom pretexto para irmos cedo para Braga e aproveitar o dia para nos deliciarmos com esta cidade tão minhota e tão bonita.

Braga é, para além de uma cidade cheia de história, a cidade da criatividade, apesar da sua interioridade, sente-se o borbulhar.

Começamos o passeio na Sé que existe ainda antes de Portugal ser país e que é a edificação mais emblemática.

Localizada no centro histórico, tal como a conhecemos foi projectada no final do séc.XI pelo Bispo D. Pedro. Pensa-se que foi construída onde antes existiu um templo romano dedicado à deusa Ísis (deusa da maternidade e da fertilidade, protetora da natureza e da magia – este edifício é mesmo mágico). Oferece-nos um conjunto de estilos, desde o românico, ao gótico e ao barroco.

No seu interior estão os túmulos dos “pais” mais importantes de Portugal, os de D. Afonso Henriques, o nosso 1º Rei. Apreciemos.

Sempre que vou a Braga gosto de andar pelas ruas velhas, apreciar calmamente os pormenores, mas também as pessoas com toda a sua simpatia e generosidade.

Um dos edifícios que mais gosto é o palácio do Raio, sublime!

Tem tudo aquilo que na minha imaginação um palácio deve ter, tão cheio de pormenores, com todos os magníficos azulejos (que tanto gosto e que tão bem representam Portugal), sumptuoso e tão diferente. É mesmo especial.

Não posso deixar de fazer referência ao arquiteto a quem devemos a sua existência para nosso deleite, André Soares.

André Soares e Carlos Andrade são dois dos arquitetos mais importantes para a cidade de Braga. Já alguém dizia que a arquitetura é a arte maior.

Continuando o nosso passeio temos que passar no chamado Arco da Porta Nova que nunca teve uma porta, mas que vale a pena apreciar, sobretudo as esculturas do topo. Este arco vai dar a uma praça com uma fonte muito bonita onde antes se realizava um mercado de peixe. É sempre interessante imaginarmo-nos noutras épocas.

Há ainda uma curiosidade que tem a ver com a autoria deste arco, há dúvidas quanto ao arquiteto responsável, André Soares ou Carlos Amarante.

São horas de almoço e a fome aperta. Temos ainda uma tarde longa, mas de certeza que vai valer a pena.

O almoço no S. Frutuoso, um dos clássicos de Braga retempera e é sempre tão bom.

Bom Jesus do Monte sanctuary in Braga, Portugal
Capelas do Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga, Portugal

Vamos então a um dos sítios preferidos, o Bom Jesus do Monte ou de Braga.

Como o nome indica fica num monte e tem uma das construções mais curiosas que conheço, trata-se de uma escadaria com 573 degraus onde estão representados em cada patamar os cinco sentidos humanos em fontes com pormenores encantadores, cuja autoria é do arquiteto Carlos Amarante.

Recomendo a subida a pé, para os mais corajosos, vale a pena, quado chegamos lá acima sentimo-nos uns conquistadores.

Há a possibilidade de subir no funicular (tem que se experimentar para subir ou para descer) que foi inaugurado em 1882 e é o mais antigo do mundo em actividade. É uma extraordinária obra de engenharia do português Raul Mesnier de Ponsard, movido a água por contrapeso, constituído por duas cabines, ambas com depósitos de água e ligadas por um cabo. Verdadeiramente engenhoso.

Os conquistadores chegaram e vão agora sentir estes jardins que só por si valem a visita. A natureza no seu melhor, seja qual for a época do ano.

Para quem é crente, a natureza é mesmo uma dádiva de Deus e para mim estes jardins são a prova disso. Estamos num conjunto de extensos jardins, lagos, grutas, trilhos e coretos, um verdadeiro festim. Vale mesmo a pena deixar-se inebriar e envolver pela natureza, descobrir todos os recantos que são sempre surpreendentes. Uma tarde muito rica.

Vamos lá descer nesse fantástico funicular de que já vos falei (sim, não se esqueçam que a subida foi a pé).

Jantamos num restaurante na zona histórica que eu gosto muito, tanto pela sua beleza, como pela comida que oferece. Moderno, mas num edifico antigo que foi recuperado da melhor forma.

Tenho o coração aos saltos, já vejo a entrada do Theatro Circo.

Respirem fundo, vamos entrar num dos teatros mais belos do país e se calhar do mundo. A inauguração deste teatro aconteceu no dia 21 de Abril de 1915, um projecto do arquiteto João Moura Coutinho, porque houve a necessidade de dotar a cidade de um espaço cultural de grande dimensão. Após anos de declínio, acabou por ser restaurado e hoje é um verdadeiro ícone cultural.

É para mim difícil descrever o quanto me comove todo o espaço envolvente, é mesmo de ir às lágrimas. Tão bonito que dói! (Uma dor boa, naturalmente.)

A peça correspondeu às expectativas e todas as palmas que receberam foram merecidas. Obrigada.

Chegou a hora do regresso ao “meu” mar que tanta falta me faz. Apesar de ser noite deixa-se iluminar por um luar doce, vejo que me cumprimenta a dar as boas vindas.

Até sempre Braga, prometo que virei mais vezes.

 

 Maria José Dias

Pictury Photo Tours