O que é que o famoso fotógrafo americano Trey Ratcliff diz sobre o Porto?

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O que é que o meu querido amigo e famoso fotógrafo americano, Trey Ratcliff, disse sobre o Porto (e sobre mim e a Pictury Photo Tours!)

Last year, our 80 Stays tour around the world took us to beautiful Porto, Portugal! My friend Jose took us all around…

Publicado por Trey Ratcliff em Quarta-feira, 2 de maio de 2018

A Pictury Photo Tours está a atravessar fronteiras na companhia dos meus amigos fotógrafos Ugo Cei, de Itália, e Ralph Velasco, dos EUA, grandes fotógrafos e Photo Tour lideres internacionais que tiveram a amabilidade de me entrevistar recentemente.
Podem ouvir em baixo e seguir-nos em www.picturyphototours.com

TTIM 126 – José Manuel Santos in Porto

Primeiro Passeio Fotográfico da Pictury Photo Tours
1º Passeio Fotográfico no Porto da Pictury Photo Tours

Assim dita a canção do Sérgio Godinho, cantautor do Porto que muito admiro. A música faz parte da nossa vida, tem um efeito extraordinário no despertar de emoções e as palavras cantadas em Português são abençoadas.

Hoje escrevo com uma paz e um sentimento de que a partir de agora tudo vai correr bem. É uma sensação tão boa…

Ontem inauguramos oficialmente a Pictury Photo Tours, juntando um grupo de amigos para um pequeno passeio pelo Porto, aquele Porto de ruelas empedradas, estreitas e velhas que está lá sempre para nós e que sentimos o quanto gosta de ser partilhado. Começamos no Jardim das Virtudes, diferente a cada visita, mas onde nos sentimos sempre livres.

Próxima paragem, a Igreja de S. Pedro de Miragaia, com o seu magnífico retábulo, lindo! Fomos recebidos pela D Zulmira, a quem agradeço a generosidade e simpatia com que nos deu a conhecer todo o recheio desta igreja que vale bem a visita.

Agora vamos ser todos (quando digo todos são mesmo todos, porque eu e os nossos filhos também não sabíamos o que ia acontecer, foi tudo preparado pelo meu marido) surpreendidos (sempre gostou de surpreender e não perdeu o jeito…) pelo nosso guia. Temos uma sessão de um filme em 5D sobre o Porto que recomendo vivamente. É uma forma diferente e divertida de ver o Porto.

O passeio está quase a terminar. Vamos ainda percorrer uma rua tão estreita que termina numas escadas que dão para um pequeno largo onde só existem as portas de 3 casas, somos obrigados a voltar para trás. Muito curioso e invulgar.

Espera-nos um jantar no Espiga que é um espaço realmente simpático e com uma preocupação em promover iniciativas culturais que para mim é importante para a cidade e onde se come bem.

Terminamos o dia com a apresentação de um vídeo lindo (sei que sou suspeita, mas gosto mesmo muito) e testemunhos elogiosos de fotógrafos que conhecem o trabalho do meu marido. Obrigada a todos.

Para terminar, quero agradecer a todos os que estiveram presentes e aos ausentes que estão desde o inicio a “torcer” por nós.

Quero ainda dizer que, apesar de dar muito trabalho, tem sido para mim um prazer colaborar neste projecto que mesmo não sendo meu, tem todo o meu amor. Estarei sempre com toda a disponibilidade para vos receber com o meu maior sorriso.

Até sempre.

 

Maria José Dias

Hoje vamos fazer um passeio tão bonito e tão tentador que é irresistível.
Saímos cedo de casa em direcção ao Porto, estacionamos o carro no parque junto à igreja de S Francisco (já falei nesta verdadeira pérola). O nosso programa é irmos de eléctrico até ao passeio alegre na foz e fazer o percurso inverso a pé (é uma caminhada que vale mesmo a pena, vimos embalados pelo mar e depois pelo rio).
O eléctrico é antigo, mas está recuperado, o que faz com que nos transporte de uma forma confortável. A viagem é bonita e conseguimos ver o que nos rodeia calmamente, porque circula devagar. É para mim um gosto ver o movimento de pessoas que entram e saem, turistas, mas também muitos tripeiros com a sua genuína forma de ser e de estar, vale a pena apreciar. Chegamos ao jardim do passeio alegre que acho um dos jardins mais bonitos da cidade, não só por estar junto ao mar, mas também pelo seu desenho e pelas belas fontes. O conjunto de árvores é magnífico, costumamos dizer que as árvores morrem de pé, mas estas são de certeza imortais, estão sempre tão luxuriantes.
Comecemos a nossa caminhada junto ao mar seguindo o recorte da foz do rio Douro. Este percurso é mesmo fotogénico, ouvem-se dezenas de clics. Do nosso lado direito temos o mar, do lado esquerdo o velho casario, algum recuperado e bem, pois a traça mantém-se, como devia ser sempre. Chegamos ao Farol de S. Miguel que é um primitivo farol Português, classificado como imóvel de interesse público no cais do marégrafo. É o primeiro edifício puramente renascentista datado em Portugal e um dos mais antigos da Europa. Mais à frente eis que nos surge um anjo que parece que nos vai abraçar com todo o carinho (e como são bons os abraços). Trata-se do Anjo Gabriel, uma obra soberba da escultora Irene Vilar, nascida em Matosinhos, que dedicou grande parte da sua obra à cidade do Porto. Esta é talvez a sua obra mais emblemática, dedicada à cidade, inaugurada em 2001 e que, segundo a autora “trazia a boa esperança à cidade do Porto”, Salvé quem vier por bem!
Paremos, respirem fundo e abram o coração. Esta paisagem é única e deslumbrante. Conseguimos ver o rio a entrar no mar, a força e o volume da água em correntes opostas. À nossa frente temos o que é para mim um dos meus locais naturais preferidos da cidade e que por isso dá nome ao texto: o cabedelo.
Este local é mágico. Trata-se de uma língua de areia que entra pela água dentro e que me traz maravilhosas recordações de infância. Pés descalços, correr na areia, aquela sensação infantil, tão boa, de liberdade e de pura felicidade. Aquela areia é para mim diferente de todas as outras, mais macia, mais branca. Era um passeio que fazia acompanhada pelo meu pai e pelo meu padrinho (de quem tenho tantas saudades) e que me deixavam ser criança. Íamos num barquinho para a outra margem, o que já era uma festa (tenho um verdadeiro fascínio por barcos, por andar em cima da água), e caminhávamos até descer para a areia, passávamos horas a brincar, a ver as aves, a usufruir sem pressas. Falta falar da minha irmã mais velha que fazia com que este verdadeiro regalo fosse ainda mais especial. Ainda hoje só de olhar para o cabedelo, qualquer tristeza se desvanece.

Reserva natural do Cabedelo
Estuário Do Douro Local Nature Reserve

Toda a envolvente deste anjo protector merece uma demorada atenção. Vamos continuar o passeio. Há uma passagem com uma pequena ponte que é um santuário para quem gosta de aves, nos nossos dias é possível ver espécies que há uns anos atrás não se viam, talvez devido às alterações climáticas de que tanto se fala e a que todos devem merecer uma reflexão. Do nosso lado esquerdo há um edifício muito bonito mas muito degradado que julgo pertencer ao ministério da defesa, merecia ser recuperado, uma pena. Ao nosso lado, lembrem-se que caminhamos junto ao rio, há uma barraquinha com umas mesas onde estão sempre alguns velhos (gosto desta palavra, uso-a com todo o respeito) a jogar cartas, vale a pena parar e ouvir um pouco as conversas, são todos simpáticos e disponíveis, quem sabe se não terão uma boa história para contar. Estamos quase a chegar à ponte da Arrábida, cujo arco é uma bela obra de engenharia. É possível fazer uma escalada pelo interior do arco, recomendo aos mais aventureiros. Aqui existe um dos restaurantes do Porto que mais gosto, pela comida, simpatia do pessoal e, sobretudo pela estonteante localização.
O rio faz uma curva fechada, as duas margens têm uma série de pormenores que merecem a nossa atenção. De repente, lá está ela, a maravilhosa ponte Luís I, ai tão linda! Até lá chegarmos acompanha-nos o velho casario que se estende até ao mar (como diz Carlos Tê, tão bem cantado pelo Rui Veloso, de quem não me canso de falar, porque eles merecem, enchem-nos a alma).
É este Porto que se sente nas entranhas e que nos comove sempre. Nunca nos cansamos de viver e sentir esta cidade e de todas as vezes ficamos mais agradecidos!

 

   Maria José Dias

Pictury Photo Tours

Da varanda estreita
sinto o sol invadir-me.
Com os olhos fechados
vejo esta bela cidade.
A torre,
de Teixeira de Pascoaes,
surge orgulhosa:
“O Porto espremido para cima”.

Descemos a preciosa escadaria ladeada de vitrais que nos conduz à rua. Vamos iniciar a nossa cruzada de turistas acidentais.

Primeira visita, a casa da fotografia em frente ao jardim com as “minhas” árvores que apesar de doentes, cresceram e ficaram formosas. Desfrutamos, de olhos bem abertos, de todas as
imagens expostas, porque valem a pena. Continuamos o nosso passeio calcorreando as ruas íngremes, sinuosas e cheias de história desta cidade rumo ao miradouro que é das virtudes, será, se calhar, pela deslumbrante vista.

Mas, para mim, o que mais me enche a alma é a maravilhosa escultura do mestre José Rodrigues ( tanta saudade…), cavalos e homens de/em ferro que tão bem simbolizam a beleza e a força destes tripeiros.

Paragem obrigatória na taberna Sto. António do Sr Vitor cuja simpatia é tão cativante que faz com que se coma ou beba mesmo sem fome ou sem sede. O passeio ainda não acabou,
esperam-nos umas velhas e gastas escadas que desembocam mesmo ao lado do largo de S. Domingos e onde se senta um personagem tão tipico que me brinda com uma frase bem humorada:” Que bom não haver elevador”.

Separação de grupo, sigo com as “benjamins”, rua das flores acima e mais uma paragem obrigatória na que é, talvez, a sala de chá mais charmosa e preciosa, como o nome indica, a
ourivesaria Aliança. Uma agradável e surpreendente conversa!

Estamos quase a terminar esta jornada, mas ainda vamos subir a rua dos clérigos, a da tal torre que falei no inicio e da qual não se consegue desviar o olhar, embora tenhamos mesmo que o
fazer para não perdermos todas as varandas de ferros retorcidos, uma obra-prima.

Tão bom! Amo finalmente esta cidade, que não sendo a minha, sinto, respiro e vivo como se fosse.

 

 Maria José Dias

Pictury Photo Tours

Uma das coisas que me apazigua porque me enche a alma é passear pelo Porto sem horas, sem destino e se calhar sem ter ainda uma ideia definida de onde quero ir.

Procuro fazê-lo sempre que posso, esta cidade está sempre lá para mim.

Cheguei cedo num dia de inverno soalheiro (no inverno a luz é sempre mais límpida) para mais um destes passeios à minha medida. Comecei pela “cascata S. Joanina” tão bem simbolizada pelo Carlos Tê que para mim é o melhor “cantador” (sim também se pode cantar com as palavras que se escrevem) do Porto e que homenageio com o titulo desta estória.

Não posso deixar de falar no Rui Veloso que canta do coração e que com o Carlos forma uma dupla imbatível.

Fiquei algum tempo parada de pescoço no ar a ver as roupas estendidas numa varanda e a imaginar como seria o dono das roupas, seria com certeza uma pessoa alegre e ousada, as
cores e os modelos das peças fizeram com que eu o pensasse.

Comecei a saber onde iria a seguir, ao Palácio da Bolsa, porque é mesmo um sitio onde vale sempre a pena ir, vemos sempre algo novo e parece mais bonito a cada nova visita.

Uma das salas que mais me encanta é a da entrada que é um pátio (pátio das nações) amplo, cheio de luz com um fantástico pé direito e que nos faz sorrir se pensarmos que simboliza a união dos povos. Apreciem bem e ganhem alento para continuar porque não vão ficar desiludidos. Todo o edifício é realmente bonito, mas prestem atenção à biblioteca, pequena mas bela. Agora respirem fundo, sugiro que fechem os olhos antes de entrar e os abram já dentro do salão árabe. Podem e devem soltar um “uau”! É impossível não expressar uma emoção ou várias. Lindo!

Saio, o sol está mais forte e a luz continua inspiradora…

Vou àquela que é para mim a igreja mais bonita do Porto, a de S. Francisco. É uma igreja do séc. XIV, gótica, uma preciosidade. No séc. XVI João Castilho desenhou a capela de S, João Baptista, mas foi no séc. XVIII que houve um conjunto de obras significativas que deram a este templo, sagrado pela sua beleza, o esplendor barroco preservado até aos dias de hoje. Quando entramos ficamos deslumbrados com o que vemos, parece coberta de ouro. Abençoada talha dourada.

Tenho pena, mas acabou a manhã e tenho fome. Entro num restaurante pequeno, acolhedor (com a pedra granítica à vista, o Porto no seu melhor), perguntam-me se estou sózinha , perante a resposta afirmativa dizem-me carinhosamente que não, que estou com eles e para estar á vontade, touché. Tão bem que comi.

Fome saciada tenho que regressar a casa…aproveito para desfrutar da marginal junto ao douro e depois o mar…este mar que todos os dias me acompanha e que como dizia a poetisa que mais admiro, Sophia de Mello Breyner, “só me arrependo dos dias que passei longe dele”.

 

    Maria José Dias

Pictury Photo Tours